SOBRE O AUTOR

DANILO MENESES
Bacharel em Direito pelo Instituto de Ensino Superior Cenecista – INESC, especialista em Ciências Penais pela Rede LFG em parceria com a Universidade Anhanguera Uniderp, Advogado (2011-2013), Delegado de Polícia.

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Arquivos do mês de fevereiro, 2013

PostHeaderIcon Quando a verdade se tornou impopular…

POR DANILO MENESES

Uma cultura que torna a verdade a inimiga da popularidade não tem muita legitimidade para reclamar do modelo político usualmente adotado…

O brasileiro, no fundo, crê. Aliás, crê demais. Acredita em “promessas impossíveis”. Foi-se o tempo (se é que existiu) em que a fé ficara circunscrita às questões religiosas. É imbuído por este sentimento nobre (ou nem tanto) que o cidadão vai à urna exercer o seu direito de cidadão. Daí não é muito difícil descobrir porque sempre (salvo raríssimas exceções) “dá merd*”.

O eleitor vota acreditando nas propostas políticas mesmo quando sabe impossíveis de serem realizadas (aliás, até prefere que assim seja) – e na rara eventualidade de deliberar e ficar em dúvida quanto à possibilidade de realização, prefere ainda assim se entregar a uma “cegueira deliberada” (afinal, não seria ingenuidade demais acreditar no “Santo das Causas Impossíveis”).

Se alguém ousar a subir no palanque e falar a verdade, será imediatamente desqualificado e receberá o título honorifico de “péssimo político”. Ganhará, imediatamente, o direito de nunca mais se candidatar. Enclausurará a própria carreira em um grande caixão no qual o povo não hesitará em enterrá-lo rapidamente. Quanta arrogância. Falar a verdade? Como ousa?

 Os problemas do país (e do mundo) são complexos demais para receberem soluções simples – mas como a maioria não tem paciência (nem capacidade) para lidar com as soluções complexas, o resultado não é muito imprevisível: com tudo simplificado, as coisas ficam mais claras (embora tal estratégia custe o preço de se afastar da realidade) e as “pseudo-soluções” mais fáceis de serem criadas.

Qualquer cidadão provido de uma pequena quantidade de massa encefálica (que funcione de fato) não tardará em perceber o embuste. Mas, não há lá muitas pessoas nessa situação. Menos ainda são os que importam com a intenção dos que lhe falam – afinal, ouvir o que agrada é sempre mais aceitável…

Fazem-se discursos maravilhosos sobre a verdade quando os únicos requisitos essenciais para que sejam eficazes é a mentira e a manipulação. Se a verdade é feia demais, ignorá-la parece ser a solução mais eficiente para torná-la bonita (ou, pelo menos, suportável). Se a fé dispensa provas, questionamentos e indagações – um autêntico e intencional exercício de “burrificação” – não é de se estranhar crermos mais na política do que na religião. Acredite: os políticos louvam tal decisão.

Não falta fé: não mesmo! Fé há de sobra! O que falta é inteligência, questionamento, discussão, utilização do cérebro – falta pensar. Mas essa – como tantas outras verdades – não pode ser dita. Seria muita arrogância. Ninguém ousaria…

 

 

 

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PostHeaderIcon O povo e a politicagem…

POR DANILO MENESES

O brasileiro precisa entender que a política necessita de pessoas compromissadas e intelectualmente preparadas para lidar com os desafios inerentes ao mandato que ocupa.

“Bonzinho”, “ajuda o povo”, “tem carisma” podem ser fatores determinantes para eleição do presidente de uma associação beneficente (e olhe lá), mas nunca para definir quem representará o povo e guiará os destinos da sociedade. Em pleno século XXI, ainda valoriza-se uma política assistencialista (para evitar o termo “mercenária”).

O candidato bom (para o povo e na cabeça deles, logicamente) e digno de ser votado é aquele que faz favores individualizados ou semi-individualizados e propostas do mesmo “naipe”, fortalecendo a “política bairrista” que tantos males causa ao nosso país.

É fácil trocar o voto por um favor (como um caminhão de terra, um abraço, promessa de um cargo ou função na administração) e depois fazer discursos acalorados criticando as atitudes dos representantes políticos.

Se você é mais um destes, preste atenção: é você que está contribuindo para esta merd* toda. Não adianta fazer a “cagada” (votar em “ficha suja”) e depois ficar compartilhando planos revolucionários idiotas em redes sociais. Mais urgente do que os políticos aprenderem a bem fazer o seu papel, o povo precisa aprender a votar.

Para piorar a situação (sim, é possível) há uma crença popular (idiota, imbecil) de que o problema da política é unicamente a honestidade (ou melhor, a falta dela). Idiota por ser reducionista, tendo em vista que embora falte honestidade e probidade na administração pública, em contrapartida, sobra incompetência.

Ninguém vai a um médico se submeter a um procedimento cirúrgico de risco com o argumento de que o “Dr. é honesto”. Ninguém contrata um advogado especialista em direito penal para dar cabo a uma lide civil baseado unicamente na honestidade do causídico. Mas para representar os próprios interesses populares e guiar os destinos da administração pública, para isso, vale qualquer um. Sendo honesto, tudo bem.

Não basta ser honesto. Aliás, ser honesto é um pressuposto necessário para iniciar a vida política, porém, jamais suficiente. Ser honesto é obrigação. E no mais, o povo em si apesar de criticar a falta de honestidade, adora um favor político que a pressuponha. Hipocrisia? Não, muito além – não há sequer palavras para descrever tal atitude…

A política precisa de pessoas competentes. Pessoas que entendem as necessidades de todas as classes sociais. Pessoas que conheçam os mecanismos hábeis para alcançar da forma mais eficiente possível tais objetivos. Será tão difícil entender isso? É, creio que sim…

Mas como desistir não é um caminho viável, uns poucos ainda continuam pregando (com fé, é claro) que se necessita de representantes políticos que, antes de se lamentarem emotivamente ao lado do povo, procurem agir para expurgar as causas de suas lamentações.

 

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Se ao lidar com o Direito você raciocinar direito, provavelmente será considerado como ‘da esquerda’ e indigno de gozar de um direito (o de ser diferente). E perceberá que a afinidade entre Direito e direita vai muito além da similaridade semântica…

Danilo Meneses

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E um dia você descobre que a credibilidade nem sempre é amiga da verdade… e que o certo e o errado raramente vai além da pura conveniência…

Danilo Meneses

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Os juristas e os religiosos muito se aproximam: ambos travam uma incessante batalha pela interpretação correta de um postulado de natureza superior (norma jurídica e texto sagrado, respectivamente). A diferença notável é que a guerra dos primeiros costuma matar menos gente…

Danilo Meneses

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PostHeaderIcon Para pensar…

POR DANILO MENESES

A dedicação da imprensa na cobertura de um desastre não está diretamente ligada à magnitude do dano causado, mas sim à possibilidade de encontrar (ou arbitrar) um culpado. Tal fenômeno apenas nos revela – sem qualquer pudor – como responsabilizar o outro tem sido a fórmula psicológica mais utilizada para se isentar da própria culpa.

O que causa espanto é o fato de que, aos acusadores perspicazes, parece faltar a mesma prudência que normalmente constitui a causa de estar no “banco dos réus” – como se o erro do outro justificasse uma atitude igual. Não é de hoje que a Psicologia alerta sobre a falta de moderação em criticar no outro justamente aquilo que temos de mais nebuloso em nós mesmos. Nenhum juízo moral é tão cruel quanto aquele que vê no erro do outro um corolário do próprio erro – embora tal visão costume passar despercebida.

Aos moralistas de plantão, sobram fuzis e faltam coletes. Fazem da moralidade (própria, é claro) um juízo divino, infalível, condenando às trevas qualquer tipo de comportamento que possa indicar subversão aos próprios valores. Coletes? Ninguém precisa deles. Afinal, é de se imaginar que os outros não farão julgamentos tão cruéis sobre nossas atitudes – não é para isso servem os direitos?!?

A cultura assim é simplificada: como uma estratégia estúpida de guerra (ou do futebol), atacar ainda perece ser a melhor defesa. O que não é compreensível é a insistente ignorância do fato de que o inimigo também tem armas (e goleadores). E se isso é percebido, logo é relegado ao segundo plano, afinal, para impedir qualquer abuso do “inimigo” existem os direitos humanitários de guerra.

Sobram moralistas em um mundo que não mais os comportam. Faltam homens morais. Sobram seres que insistem em fazer do padrão de conduta individual uma lei universal (desde que, obviamente, não seja aplicada a eles mesmos). Faltam aqueles que acreditam que a essência da moralidade é agir conforme os próprios valores – e tudo o que for além, pode ser um forte indicativo de arbitrariedade. É minha gente, a hipocrisia venceu.

Talvez o que impeça a aceitação do erro do outro e das diferenças seja a consciência oculta de que, no fundo, nós, humanos, errantes, imperfeitos, pecadores e imorais, somos, na verdade, todos iguais. Realmente, ninguém agüenta muito tempo de frente ao espelho…

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