SOBRE O AUTOR

DANILO MENESES
Bacharel em Direito pelo Instituto de Ensino Superior Cenecista – INESC, especialista em Ciências Penais pela Rede LFG em parceria com a Universidade Anhanguera Uniderp, Advogado (2011-2013), Delegado de Polícia.

Pesquisa interna
Central Blogs

Arquivos do mês de setembro, 2013

PostHeaderIcon Danilo Meneses

Quando soa mais vergonhosa a impossibilidade econômica de ‘upgrade’ nas parafernálias eletrônicas dos filhos do que a incapacidade de ensiná-los a lidar com a privação, é hora de começar a se questionar sobre os rumos que vem tomando o modelo contemporâneo de educação.

Danilo Meneses

Popularity: 1% [?]

PostHeaderIcon A “doutrina multinível” e a decadência da civilização

POR DANILO MENESES

A proliferação de pirâmides financeiras é a evidência mais paradigmática da – incessante – progressão de um fenômeno oculto de decadência civilizacional. A situação, quando amplamente compreendida, conduz o pesquisador ao inevitável presságio de um “tempo dos horrores”…

Na ocasião em que a promessa de dinheiro e sucesso fácil torna-se mais sedutora do que a colheita dos frutos de incansável dedicação e trabalho, talvez não seja hora apenas de rever valores… Talvez seja hora de se questionar se alguns já comumente pregados, “de fato”, existam. E isso deve ser feito antes que se espalhe o vírus que diz que “se esforçar é perda de tempo”.

Quando estudar e trabalhar duro pelos seus sonhos é um aparente sinal de alienação, resta se contentar em “ganhar a vida” comprando o ticket que garante o “ingresso ao mundo dos deuses” – um mundo sem “ralação”, sem há compromissos sérios, mas em contrapartida, com ostentação, riqueza, mulheres e carros “de sobra”.

Quem não quer fazer parte do “mundo dos deuses”? Seria tal possibilidade religiosamente (não entendam mal) doutrinada como a volta de Jesus Cristo (em sua versão “pós-moderna”, “líquida” (Bauman) ou “reflexiva” (Beck)? Ou, como querem os radicais, Jesus Cristo na sua versão “high tech”? Melhor: conjugando as duas vertentes (religiosa e piramidal), pode-se afirmar que a “venda” do ticket ao “mundo dos deuses” (o termo “mundo dos desocupados, safados e corruptos” soaria agressivo demais) é uma prova do retorno de Cristo (do Salvador, do Messias) na sua versão “multinível” (a versão Carlo Costa deve estar com defeito).

Ademais, por falar em “multinível”, fica um adendo: caso o uso do termo em questão cause alguma perplexidade ou incompreensão em relação ao seu real significado, tal conclusão deve ser posta na gaveta da irrelevância. Os “pregadores” são hábeis em usar o termo justamente em razão da sua incompreensibilidade. O seu vácuo semântico é o combustível mor da sua propagação.

Na ausência de argumentos mais sólidos, surge então, inesperadamente, a “doutrina multinível”. Não conhecê-la, não defini-la e não analisá-la é mero detalhe: o importante é considerar o termo um “argumento de autoridade” – uma “Graça” dos Deuses. Malditos tempos em que, para parecer intelectual, não bastava criticar os que (assim como o locutor) desconhecem as maravilhas da “revolução multinível”! Coitados, eles não sabem o que fazem… são escravos do sistema.

Quando questionados sobre as mazelas geradas pelo “mundo multinível”, os religiosos (os termos investidores e/ou divulgadores seriam inadequados para traduzir o fanatismo), muda-se o foco da discussão (se soubessem ler e interpretar, daria até para “chutar” que leram Schopenhauer). Quando, de bom humor, resolvem debater o tema especificamente, é comum surgir o jargão “não se fazem omeletes sem quebrar alguns ovos”. Seria o retorno da filosofia dos fins que justificam os meios? Mas, a quem cabe o direito de selecionar quais ovos devem ou não ser quebrados? A quem tal ditado afirma? Aos divulgadores? Se questionados, pensariam que sim (mas claro, jamais diriam – o embuste é um dos segredos da sua “arte”).

Resgatar os valores fundamentais para uma convivência saudável é fundamental. Só assim se constrói uma sociedade solidária, humanizada e pacífica. E, alguém em sã consciência, diria ser tal objetivo irrelevante? Ou a forma mais eficaz de se medir a satisfação é a de índices puramente econômicos? Quando felicidade, PIB e dinheiro parecem termos com um significado social comum, é sinal que as coisas andam mal… muito mal.

Pode parecer confuso o paralelo entre o modelo piramidal (Ops! multinível) de doutrina e a filosofia dos fins que justificam os meios. Mais confuso ainda seria a correlação de tais temas com a decadência civilizacional. O que se busca com tal texto então? Boa pergunta, mas – como diriam os divulgadores – irrelevante. O importante é que publicar textos na internet dá dinheiro. Apenas isso. O resto? E, por acaso, alguém vive de restos?

Mas, ousando fugir da “lógica do divulgador”, este texto apenas tenta deixar claro para que a construção de um mundo melhor pressupõe a superação do “individualismo totalitário” – da filosofia de vida que legitima qualquer meio, desde que hábil a alcançar os fins individualmente predeterminados. Em um mundo decente, conquistas pessoais ao custo do fracasso alheio é motivo de vergonha – não de honra, orgulho ou “ostentação”. Agora as coisas parecem mais familiar? Ostentação? Marketing Multinível? Telexfree?

Em um mundo (do ponto de vista humano) minimamente desenvolvido, “pirâmides” deveriam ser assuntos quase que exclusivos da história do Egito. Já dizia outro antigo ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Seria possível discordar? Atualizando-o para os tempos brasileiros atuais (atualíssimos, por sinal) – época marcada pelo “pan-piramidismo” – dir-se-ia: em terra de cego, quem tem dois olhos é um estelionatário de sucesso; quem tem apenas um, é um estelionatário em potencial; à grande massa totalmente cega, vítima seria um bom termo. Vítima de um crime no qual gostaria de ser autor, mas por absoluta “burrice”, sequer cometeu…

Para o que entrega a própria alma para o diabo, não se compreende a invocação do nome de Deus como estratégia desesperada em busca da “salvação”. E é exatamente a sustentação de valores tão contraditórios que se busca questionar. Tal incoerência pode assumir duas formas: quando a contradição é restrita ao mundo das idéias, surge um “problema teórico”; quando ela se dá no mundo dos fatos (sustentar um valor e comportar de forma contraditória a ele mesmo), surge um “problema prático” – sim, é pura hipocrisia.

Talvez por isso os “piramideiros” sejam o exemplo mais cristalino da decadência civilizacional. Representam uma autêntica contradição teórica no mundo dos valores: insistem em compatibilizar o termo justiça com as estratégias de enriquecimento ilícito (em um contorcionismo teórico que chega a dar pena); criticam a falta de visão de evidências sobre o sucesso de sua estratégia, mas ao mesmo tempo (intencionalmente ou não) rejeitam a abundância de provas que caracterizam tal sucesso como apenas uma nova roupagem para o antigo fracasso; fazem piadas da “fé metafísica” (dos religiosos), tratando-a como algo desprezível, já que não produz riqueza (esta só vem para os que se tornam “divulgadores”) e ao mesmo tempo acreditam religiosamente nas mentiras inventadas por seus mentores.

Quanta incongruência! Não bastassem os problemas teóricos da “doutrina multinível”, incomodam mais ainda os “problemas práticos”. Segui-los é uma estratégia quase suprema de hipocrisia. Sustentar a “abundância e riqueza” e fazer empréstimos bancários para que tal valor soe real? Sustentar a “solidariedade” e se esquecer da origem dos recursos que a permite? Sustentar a “justiça” e acusar sumariamente todos os órgãos encarregados de exercê-la, com base unicamente em intuições (ou desespero)? Condenar a “corrupção”, sair à rua para protestar contra ela e ao mesmo tempo participar de esquemas financeiros fraudulentos?

Eis as evidências flagrantes do processo de decadência social atual. Um mundo que desprestigia o trabalho duro, o suor, a dedicação e ao amor ao que faz. Um mundo que socializa os riscos e os danos, mas insiste arbitrariamente em dizer que as soluções para tais problemas é uma tarefa estritamente individual. Um mundo que, em nome do lucro, condena a dignidade e coroa a insensatez. Um mundo que ridiculariza qualquer cidadão honrado unicamente pela análise negativa do seu saldo bancário. Um mundo que acusa de “alienação” aquele que insiste em defender antigos (e superados) valores ligados à honestidade.

O “piramideiro” sonha com o “mundo dos Deuses”. O mais hilário é que, o seu “mundo dos sonhos” é o mundo no qual ele insiste em dizer pertencer (e gasta muito em publicidade para manter a sua “boa imagem”). A sua maior satisfação é vender o ticket para os calouros e ver a felicidade alheia proliferar – e seu mundo “imaginário” crescer. Coitado destes (quem mandou serem calouros?). Ao comprarem o ticket, pagam com a razão, tornam-se legítimos “zumbis”, cuja única tarefa é fazer publicidade do seu “novo mundo”. Um mundo perfeito. Todos ricos, não trabalham, não dedicam a nada, não se esforçam, afinal, são merecedores por terem descoberto a “fórmula da riqueza”. E, por terem garantido o ingresso com a venda da razão, são incapazes de perceber que as promessas eram pura “campanha política”: como um inferno que, até a decisão final do “recruta”, se passa pelo melhor dos céus.

Mas seria então a culpa de todo o mundo atual atribuída aos “piramideiros”? Parece ser um erro grave qualquer conclusão nesse sentido – uma autêntica inversão dos pólos. Antes de causa, a “onda de pirâmides financeiras” e a proliferação da “doutrina multinível” mais parecem um sinal, um aviso bem claro indicando uma necessária mudança de sentido. É o efeito colateral de uma sociedade prisioneira que, amedontrada pelo carrasco, tem apenas episodicamente a coragem de clamar por socorro… e a descrença de, continuadamente, não ser atendida.

Popularity: 1% [?]

PostHeaderIcon Jogando o Direito no lixo: pode isso Arnaldo?!?

POR DANILO MENESES

Um colega postou no meu mural a argumentação de uma advogada, ou melhor, “doutora” (normalmente é assim que fazem questão de serem chamados os que possuem ego inflado de forma inversamente proporcional ao seu nível de conhecimento) em defesa da Telexfree.

A maioria deve saber meu posicionamento em relação a empresas que promovem pirâmides financeiras. Já falei sobre este tema diversas vezes. E, como suspeito (não apenas eu, mas também os órgãos oficiais, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário) que a Telexfree seja um exemplo deste tipo de atividade, não consegui ficar sem fazer uma análise do vídeo postado pela “doutora” em defesa de tal empresa.

Eis o link do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=Vora6sOD9BE&feature=youtu.be

Sinceramente, me dá “nojo” ter uma pessoa desta na minha classe. Sabe o que é NOJO? Isso mesmo, NOJO. Não porque tenha algo contra a pessoa dela, nada disso. Mas sou extremamente contrariado com o posicionamento de utilizar o suposto conhecimento para propagar conhecimento distorcido. O motivo exato do meu “nojo” (será que peguei pesado desta vez?!?) eu faço questão de deixar bem claro.

Eu me pergunto: como pode uma pessoa que se diz “representante da ordem jurídica” ser tão leviana como tal doutora? Uma legião de juristas deve estar, nesse momento, se revirando no túmulo (tomara que eles não tenha acesso ao Youtube lá do além). É muita informação desencontrada em um vídeo só. Ela apenas provou que não sabe nada, simplesmente (ou seria absolutamente?) nada de processo civil – confesso que embora processo civil seja meu “calcanhar de Aquiles”, ela ainda parece conseguir fazer a proeza de saber menos do que eu (o que, admito, não é nada fácil).

De duas uma (vou me dar ao direito de conjecturar): ou ela é uma divulgadora e fez este vídeo como uma tentativa desesperada de defender a Telexfree (mesmo que para isso tenha de jogar toda a construção da doutrina de processo civil no lixo – se é que ela sabe alguma coisa, ou algum dia soube) ou ela está querendo se promover, aproveitando a ingenuidade de milhares de divulgadores que acreditam em qualquer coisa (por mais absurda que seja), desde que se trate da defesa de sua “queridinha empresa”…

Existe (basicamente) uma grande diferença entre as formas desta advogada e a minha, no que se refere à argumentação. Definitivamente, ela advogada “não fala minha a língua”. Eu lido (ou pelo menos tento lidar) com fatos. Muitas vezes de forma irônica e cômica (sim, este é meu jeito de escrever e não significa que eu seja melhor do que ninguém), mas sempre apegando aos fatos. Eu não crio doutrinas inexistentes apenas para sustentar meu ponto de vista (seria cômodo, mas bizarro). Eu tenho cuidado com o que falo – às vezes falo besteira, sou um ser humano falível, mas me preocupo em não fazer isso. Essa mulher? Meu Deus (posso invocar Deus também? Ou somente o Pastor Carlos Costa tem tal prerrogativa?)!

Disse anteriormente que a postura da doutora (não estou sendo irônico) me dava “nojo”. Volto atrás: me dá uma mistura de “nojo” com “dó”,  isso sim. Dó de saber que uma pessoa com um grau de instrução formal elogiável, mas com conhecimento de fato tão superficial, queira dar lições jurídicas (e também morais) para o Ministério Público do Acre e para a Justiça Acreana. Mais grave ainda é usar o fato de ser advogada como “argumento de autoridade” – uma estratégia ridícula para ganhar a popularidade no meio dos divulgadores. Afinal, como doutora (já disse que sem ironias) ela deve saber muito bem o que está falando. Ou não? Na dúvida, sim, é claro (“in dubio, pro telexfree” – me desculpem, mas eu não sei traduzir Telexfree para o latim).

A doutora abusou da retórica vazia – coisa não muito incomum na advocacia (que me perdoem os meus colegas). Ela não deu a mínima ao distorcer conceitos como “competência”, criar nulidades inexistentes. Na verdade, a impressão que fica (apenas impressão, viu?) é a de que ela nunca deve ter aprendido conceitos referentes às medidas de urgência no Processo Civil (é, tem um nítido problema ao tratar das medidas cautelares).

Ela simplesmente pegou nosso ordenamento jurídico, jogou no lixo e ganhou os aplausos do monte de incautos que insistem em acreditar em qualquer “abobrinha” que dizem por aí, desde que seja em benefício da sua empresa (eles acreditariam em qualquer coisa: ficariam até mesmo dúvida se o bloqueio pela justiça é uma conspiração da “mula-sem-cabeça” ou do “saci-pererê”).

Afinal, se existe algo mais importante do que a verdade, esse algo chama-se “família Telexfree”. Aos irmãos e irmãs desta igreja (ops! Quis dizer, empresa), fica a lição de união em busca de um fim comum. Se amor e ódio são facetas da mesma moeda, quero estar longe quando iniciarem as “brigas em família”…

A TELEXFREE e a BBOM estão sendo acusadas (oficialmente) por supostamente fazer pirâmide financeira (supostamente, viu?). Simples assim! O debate deve girar em torno do seguinte tema: a sustentabilidade de tais empresas sem o ingresso de novos membros. Só isso. Essa é a única controvérsia em questão.

O resto são divagações para tirar o foco do real problema e da real acusação. Mas a advogada parece ter se esquecido (intencionalmente?!?) de tocar no assunto. Ela não explicou porque a empresa é legal – porque ela atende aos requisitos do ordenamento jurídico. A culpa é do Acre (ôôô “estadozinho”), da Dilma, do Lula, dos bancos – e ultimamente, sei lá por que, da Oi e também da Tim! Melhor eu apontar o dedo para os outros, quando os outros apontaram para mim (até rimou – acho que estou fora de moda).

No que se refere ao poder público e sua prerrogativa de intervenção na atividade privada, a doutora falou tanta “asneira” (acredite, comparado às atrocidades que ela cometeu, a palavra é relativamente branda, quase digna de uma “moção honrosa”) que, se a OAB resolvesse ter pulsos firmes e agir como uma entidade extremamente rígida com seus membros poderia até mesmo tomaria medidas disciplinares contra ela. Mas deixemos isso para lá. A OAB tem mais o que fazer…

O mais triste de tudo é que não adianta eu ficar aqui me desgastando, tentando abrir os olhos dos que insistem em continuarem cegos. Ninguém que participe de tais esquemas me ouve (ou lê). Todo mundo acredita que dinheiro “brota de árvore”: basta saber o local de plantio e adubar com o fertilizante certo. Quando você os questiona (os “investidores”), eles mudam de foco, colocando em pauta outros assuntos. Mas nunca dão a prova da origem do dinheiro. Será porque não querem a verdade?

A origem do dinheiro que os remunera torna-se (de repente) irrelevante. As preocupações passam a ser criticar a “bolsa-família”, a “grande pirâmide que é a política brasileira”, a presidenta Dilma. Por último, passaram até a invocar a “doutrina da tranqüilidade”: “divulgadores, não se preocupem, DEUS está do nosso lado”, eis como grita São Carlos Costa, seguido de uma multidão de aplausos… Amém!!!

Vou me dar ao luxo de conjecturar sobre a verdade: o que realmente acho? Todos os investidores estão DESESPERADOS. Isso sim. DESESPERADOS. Motivo? No fundo, inconscientemente, sabem que entraram em um “roubada”, mas não querem assumir – afinal, são espertos demais para serem vítimas. No fundo, querem “sair por cima”. Estão pouco se importando com a empresa: querem simplesmente recuperar o dinheiro investido e pronto.

Que se “fodam” (lasquem será melhor?) os outros que entrarem no esquema depois e tomarem prejuízo – isso é quase irrelevante. No fundo, os divulgadores (embora não assumam) não estão defendendo nenhuma empresa. Estão apenas com o “c* na mão” (não tem menores de 18 lendo isto né?) porque tem dinheiro demais investido nesta (suspeita de) maracutaia – melhor ter cuidado com as palavras, não quero ser processado.

E, caso não seja pirâmide, caso a empresa prove que não é (engraçado mesmo é a própria empresa pedir SIGILO no processo do Acre – espertos hein?!?), as coisas voltarão ao normal. Eu meio que não acredito, mas, tudo é possível, não é? Basta ter fé!

Eu só adianto minha opinião (pessoal, “acientífica” e, acima de tudo, conjectural) aos mais desavisados: tal empresa não vai voltar à atividade (pelo menos não com o mesmo nome)! Provavelmente estamos prestes a testemunhar um dos maiores golpes financeiros da história do Brasil (só não vai ser maior porque as contas estão bloqueadas – uma “pena”). A culpa ainda ficará para o governo (pelo menos na cabeça dos divulgadores, já que eles acham que a empresa é uma representação de Deus na Terra – “the king can do no wrong” se tornou “the Telexfree can do no wrong”).

A parte pior? Não, não será o prejuízo em si. Novas pirâmides surgirão, juntamente com novos ignorantes para alimentá-las e novos espertinhos para aproveitar da ganância alheia. E assim continua a vida. Há alguns ditos populares bem conhecidos: “dinheiro de tolo é matula de malandro”; “gente boba e estrada ruim não acabam”; “quando a esmola é muita o santo desconfia”. Mas quem, em pleno século XXI, acreditaria neles? Pura teoria da conspiração, fruto de uma mentalidade não empreendedora e invejosa. Afinal, quando a esmola é muito o santo não desconfia, mas sim, vira mendigo profissional…

O mais triste (do ponto de vista moral) nesta história é saber que o Estado está querendo defender o interesse do consumidor, mas este, por sua vez, é tão IGNORANTE (no sentido de desconhecimento mesmo, sem nenhuma conotação negativa) que acha o contrário. E por quê? Porque foram treinados para achar. Porque é assim que a dita “empresa” quer que eles pensem. Mas eles não compreendem que estão sendo manipulados, porque a regra da presença de manipulação lhe foi subtraída.

Outro dia, em uma conversa com um amigo (também advogado) sobre os protestos dos divulgadores contra a Justiça, ele soltou a seguinte pérola: “Tem mais é que se ******* mesmo”. Será? Talvez… mas só se fizerem um compromisso sincero de depois não ficar “chorando pelos cantos”. Maldito Ministério Público que insiste em ajudar quem não quer ser ajudado… ou não…

Quando (e se, é claro) a “pirâmide” (ou suspeita, para não me acusarem de ser um acusador sumário) ruir, quantos fiéis ainda adorarão o “São Carlos Costa”? É esperar para ver! Ele irá (provavelmente irá, já que o que aqui digo não passa de mais uma conjectura) imediatamente do céu para o inferno… e o fanatismo do divulgador será diretamente proporcional à impossibilidade de perdão (ou seria remissão?)…

Afinal, nos mundos do “tudo pode” e do “faz de conta”, as aberrações estão além do limite da imaginação… a doutrina jurídica e o lucro fácil, também!

Popularity: 1% [?]

PostHeaderIcon Ser 100% não é motivo de orgulho

POR DANILO MENESES

Nossa mente é seletiva. Somos equipados com um instinto que nos faz observar os sinais exteriores do mundo de forma a confirmar nossas impressões iniciais – algo bem próxima da “falácia da conformação”, como sustenta Nassim Nicholas Taleb.

Tal fato é perfeitamente natural – e demasiadamente humano (Nietzsche que o diga). Mas, embora sejamos munidos de uma inclinação natural para perceber apenas os fenômenos que confirmam nossas crenças iniciais, tal tendência deve sofrer um limite racional – sob pena nos tornarmos exemplos vivos de autênticos “fanáticos”.

Como muito bem sustenta Karl Popper, a força de uma tese não depende da quantidade de razões que a prove, mas, ao contrário, da sua capacidade em suportar ataques (críticas e argumentos contrários) sem vir a óbito. Em bom português: a sustentabilidade de um edifício estaria limitada pelo seu “pilar” mais fraco (perdoe-me qualquer erro na analogia).

Portanto, seguindo a linha de Popper, o conhecimento é conjectural: a verdade (provisória) existe até que uma nova verdade se imponha – através da existência de argumentos que solapem a verdade anterior. Tudo em busca da tão sonhada e inalcançável “certeza” – novamente, no sentido “popperiano”. A busca pela certeza seria quase uma utopia…

Isso nos leva a crer que devemos nos policiar. Devemos nos observar constantemente para não passarmos a ignorar completamente os sinais do mundo que contradizem nossa visão inicial (acredite, fazemos isso com mais freqüência do que imaginamos). E o motivo? Porque ignorar todos os sinais é “fanatismo puro” (e, cá entre nós, não me lembro de ver se dar bem os fanáticos). Devemos entender que como a certeza é inacessível, podemos contar apenas com uma “verdade em curto prazo” – mostrando uma postura aberta aos novos conceitos e valores, afinal, quem garante que estejamos certos?

Por isso critico afirmações em alguns campos da vida que desprezam as conquistas da ciência e partem apenas da “fé”. Quando utilizo tal termo, não o faço com conotação religiosa. Chamo de “fé” a insistência em acreditar em algo cujas razões de tal postura encontram-se obscuras e inexplicáveis. O conhecimento (cientificamente falando) pressupõe a superação de fé e, paradoxalmente, a sua existência – tendo em vista o modelo de “superação da verdade” que me inclino a adotar.

Quando critico afirmações do tipo “sou 100% isso” ou “100% aquilo”, o faço na intenção de mostrar que, do ponto de vista do desenvolvimento intelectual, tal afirmação é um homicídio à ciência, pois pressupõe uma verdade eleita e imutável – isto, claramente, não é ciência, mas sim religião.

Nada contra as opiniões religiosas – cada um possui sua própria liberdade de opção (e eu, particularmente, respeito e até compreendo). O que me preocupa é a substituição da razão científica pela fé em campos da vida nos quais aquela deveria reinar.

Ignorar uma gama de fatores externos que conduzem à reestruturação da nossa “tese” inicial pode ser cômodo, mas, em contrapartida, altamente perigoso. O mundo não costuma ser compreensivo o bastante para com aqueles que insistem em confundir a verdade com a sua visão.

Popularity: 1% [?]

PostHeaderIcon Reflexões de um sonhador: conhecimento ou ignorância?

POR DANILO MENESES

Em algum momento da vida, ao amanhecer, nos deparamos com a “utopia da plenitude” invadindo nossas mentes: achamos que se esforçarmos bastante todo o conhecimento do mundo estará ao nosso alcance – e saber “tudo sobre tudo” se torna apenas uma questão de tempo.

Tempo este que nos faz crescer e amadurecer, ao ponto de vermos que nossa utopia só tem um único e predestinado fim: a frustração.

Tal sentença não sugere que tenhamos de abandoná-la, mas apenas que devemos colocá-la no seu devido lugar: algo querido, mas (felizmente, eu diria) irrealizável.

Só assim adquirimos a consciência de que nosso tão adorado conhecimento não passa de uma simples bússola que, vez ou outra, nos dá algumas pequenas dicas ao navegarmos no imenso mar da ignorância.

Acordei achando que um dia saberia tudo sobre tudo. Aprendi, durante o dia, muito pouco, mas talvez o bastante. O bastante para dormir com a certeza de que, com toda aquela empolgação inicial, só poderia estar sonhando.

Talvez compreendi que era apenas (e absolutamente?!?) humano…

Popularity: 1% [?]