SOBRE O AUTOR

DANILO MENESES
Bacharel em Direito pelo Instituto de Ensino Superior Cenecista – INESC, especialista em Ciências Penais pela Rede LFG em parceria com a Universidade Anhanguera Uniderp, Advogado (2011-2013), Delegado de Polícia.

Pesquisa interna
Central Blogs

Arquivos do mês de novembro, 2014

PostHeaderIcon Investigue!!! #SQN

POR DANILO MENESES

A atitude do Ministro da Justiça, o Sr. José Eduardo Cardozo, é o retrato do que pensa parte da nossa população no que se refere à atuação dos órgãos estatais de repressão: qualquer que seja o êxito alcançado com o esclarecimento de condutas ilícitas, este estará sempre maculado por “ilegalidades” – nem um pouco evidentes – cometidas pelos responsáveis pela investigação.

De repente – numa esdrúxula inversão de valores tipicamente tupiniquim – desviar milhões de reais de empresas estatais se torna um fato “menos grave” do que permitir que uma polícia independente (que absurdo!?!) investigue o suposto “ilícito” cometido (para não perder o tom politicamente correto).

Quando se percebe, já está implicitamente “enfiado” na cabeça de cada um: roubar é normal, mas é absurdo permitir que os órgãos responsáveis pela apuração se ousem a tentar descobrir. E, quando alguns servidores muito empenhados audaciosamente o fazem, contam com a explícita reprovação do chefe. A título de exemplo, a mensagem do Sr. Ministro é bem clara: “vou apurar a conduta dos delegados envolvidos na investigação”.

Pasmem! Diante do desvio de milhões (ou seriam bilhões?) o Ministro da Justiça parece mais preocupado em apurar eventuais “irregularidades” da investigação do que o ilícito a ser investigado. Não o bastasse, ainda quer dar sermão referindo-se à politização do procedimento. E vence a hipocrisia.

A politização parece ser algo louvável quando o fito é salvar os “companheiros” das garras da Justiça, mas abominável quando pode eventualmente prejudicá-los. Dois julgamentos do mesmo fenômeno movidos unicamente por um combustível: o interesse – próprio, por sinal.

A mensagem que é transmitida é mais ou menos a seguinte: a polícia deve ser reprimida (e não parabenizada) pela realização de um bom trabalho. É o gerente brigando com o subordinado por ser muito bom – se a excelência do trabalho não o beneficia. É o poste mijando (ou seria urinando?) no cachorro.

Que a Polícia Federal continue – mesmo com a desaprovação implícita de parte da “base aliada” – a investigar práticas criminosas que lesam o patrimônio público. Que ao final, os envolvidos sejam – de acordo com a legislação pertinente – efetivamente punidos. Que vença a razão – e não o fanatismo – independente da cor do partido. Que no dia 15 de novembro de 2014 a proclamação da República seja revivida não apenas como um feriado nacional imotivado, mas como um marco de renovação da esperança que, acuada e amedrontada, às vezes deixa de convencer este povo sofrido a acreditar que seu país ainda “tem jeito”.

Popularity: 2% [?]