SOBRE O AUTOR

DANILO MENESES
Bacharel em Direito pelo Instituto de Ensino Superior Cenecista – INESC, especialista em Ciências Penais pela Rede LFG em parceria com a Universidade Anhanguera Uniderp, Advogado (2011-2013), Delegado de Polícia.

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Arquivos do mês de janeiro, 2017

PostHeaderIcon ESQUERDOPATA ou ULTRACONSERVADOR? Eis a questão…

POR DANILO MENESES

Meu pensamento guarda muitos pontos de conexão com os argumentos da DIREITA. Isso não significa que sou “ultraconservador radical”, “imperialista”, ou qualquer baboseira do gênero. Nem que tudo que o TRUMP fizer estará certo e todas as medidas tomadas pelo PT estarão erradas. Preciso primeiro conhecer a natureza da decisão tomada para só depois (com base em seu conteúdo, não em seu “gênio criador”) externar a minha opinião.

Aliás, falando em progressistas e conservadores, estudei mais a ESQUERDA do que a direita nesta minha vida. Aprendi muito com aqueles, inclusive como não agir e o que não defender em determinada ocasião. Não o bastassem, alguns dos pontos que ainda sustento (em minoria, diga-se de passagem) guardam íntima conexão com a agenda esquerdista – o que também não significa que esteja indisposto a mudar de opinião.

Essas “categorizações” polarizadas (ESQUERDA/DIREITA) trazem lá seus benefícios (facilidade de compreensão das ideias), mas acabam produzindo vários danos colaterais. Um deles seria o reducionismo. Se você defende uma ideia que coincide com a bandeira de um movimento político, você é rapidamente “taxado” e “categorizado”, como se sua opinião sobre a violência e suas causas fosse uma prova do que você pensa sobre a legalização de drogas, proibição do aborto ou desarmamento do cidadão.

Por isso sustendo de “peito aberto” que, mais importante do que estar em um dos polos citados é NÃO ABDICAR DA PRERROGATIVA DE PENSAR POR SI PRÓPRIO. Tal atitude conduz à dialética das ideias (tolo aquele que acha que seu opositor não tem nada a lhe ensinar) ganhando todos no processo – caso haja entre os debatedores (ou ao menos entre um deles, no caso, você) a sensata disposição a mudar de opinião. Advirto que pensar por si mesmo sem alimentar o espírito de aprendizado (do tipo: “ainda não sei o bastante”) não ajuda muito… para convencer a si próprio não é necessária sólida argumentação.

Sem tal espírito (de diálogo sincero, de aprender com o outro) acabamos por cair em um erro epistemológico muito comum na política: primazia das ideias sobre os fatos. Há uma tendência (demasiadamente humana) em adequar os fatos à nossa visão de mundo: devemos estar vigilantes, já que fazemos isso sem ver. Mas ignorar os males desta tendência conduz justamente ao problema que vivemos hoje: extrema polarização. É como se cada membro do debate (esquerda/direita) falassem uma língua que só faz sentido para os membros do clã. Sinceridade: a “coisa” ganha contornos tão engraçados que às vezes mais parece uma religião.

A política normalmente se materializa em pessoas. Afinal, votamos em candidatos que representam ideias, mas não votamos nas idéias em si. Particularmente, procuro líderes que possuam uma visão de mundo minimamente coerente e cujas políticas possuem maiores possibilidades de gerar resultados empíricos positivos (na prática, não nas ideias – o pleonasmo foi só para reforçar).

As motivações e intenções mais íntimas (latentes ou manifestas) na cabeça do meu candidato (não vou citar quem, então nem perguntem) não são boas por si só. Sob o argumento de “ajudar os pobres” e “acabar com a pobreza” muita merda pode ser feita. Por isso, no que se refere a esses jargões, eu não estou nem aí. Me preocupo muito mais com o resultado empírico das políticas governamentais do com a nobreza de espírito que fundamentou a sua implantação (ou com a cor do partido responsável por sua criação). Vocês (progressistas ou conservadores) deveriam fazer o mesmo.

Por falar em jargão, eis um que considero válido e bem apropriado: “de boas intenções o inferno está cheio”. As maiores atrocidades já realizadas no nosso planeta foram feitas pelo bem: o mal declarado não costuma ser muito popular. Ou vocês acham que teria apoio uma medida que prometesse “empobrecer a população”? Embora este seja um resultado previsível em muitas políticas, não se vê o mesmo como propaganda de sua implantação. Como li certa vez em algum lugar por aí: a dor é sentida da mesma forma, seja quando efeito colateral ou resultado de uma intenção. Sob a ótica do prejudicado, é irrelevante a distinção.

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PostHeaderIcon DESARMAMENTISMO: solução ou manipulação?

POR DANILO MENESES

O legal de discutir política armamentista com alguém que é contra (acredito no poder do debate sincero e desinteressado e nos efeitos benéficos na colisão de opiniões) é ver a pessoa pateticamente insistindo no famoso “exemplo do trânsito” (toda briga de trânsito vai ser o gérmen do apocalipse) como se o mesmo estivesse “acima do bem e do mal”.

Começo a imaginar que antes do Estatuto do Desarmamento vivíamos um gigantesco conflito civil oriundo dos mais insignificantes motivos possíveis, numa espécie de nostalgia de um passado que nunca existiu (George Orwell manda lembranças): a título de exemplo olhar com “cara feia” um para o outro seria causa para os mais terríveis tiroteios – uma notícia catastrófica para quem, na fila da beleza, faltou à distribuição. Uma das poucas coisas que eu sei sobre nosso mundo contemporâneo é: se tem algo em que nós somos bons é em criar nossos passados com toques pessoais da nossa própria versão.

Imagino então que nos países onde o porte de arma seja permitido tais cenas sejam comuns (e o cidadão precavido sempre deve andar de colete), mas fico desconcertado ao ver a estatística comprovando que não. Logo os desarmamentistas – rápidos no gatilho moral, já que não são bons em armas mas disparam seus argumentos com uma ênfase de dar inveja a muitos experientes instrutores – justificam que a regra mundial não se aplica aos brasileiros. Como? Nesta hora me imagino (por mais consciente que esteja da criatividade e ousadia do nosso povo para fazer o mal) como uma espécie de alienígena, cujas leis terrenas não são aplicáveis – raciocínio que estendo aos meus companheiros de nação.

Volto a ter delírios de imaginação, tentando compreender como seria dizer para meu (falecido) avô, morador (quando vivo, claro, visto que atualmente não sei por onde ele anda e porto uma arma justamente por não estar com pressa de visitá-lo – o que não significa que não esteja com saudades) de um simples sítio da zona rural de Minas Gerais, na condição de delegado de polícia, que ele não poderia ter uma arma para proteger sua propriedade e que caso precisasse deveria procurar a mim (ou acionar uma guarnição).

Acabo rindo sozinho por imaginar o quão autênticas seriam as suas irônicas gargalhadas – provavelmente indicando que teria gostado muito da “piada”. Talvez ele ficasse orgulhoso de ver que seu neto se tornou um delegado de polícia, ganhou responsabilidade, mas continuou o mesmo “fanfarrão”. Ou talvez não dissesse, mas pensasse – na sua rudeza e simplicidade – o quão ingênuo eu era ao tentar privá-lo de um dos poucos direitos que ele ainda tinha naqueles tempos (embora ele o visse como um dever): o da própria proteção.

Direito/dever este que se estendia a toda a sua família – numa época em que as palavras “dever” e “família” ainda faziam algum sentido e que reagir, quando possível, a um crime violento, soava quase como uma obrigação; em que pessoas matavam pessoas (e não armas – as minhas estão com defeito? – ou caminhões – antes da chegada dos “Decepticons”)…

Começo a imaginar que meu amigo desarmamentista (da discussão lá no início) não sabe exatamente o que está falando. Não o levo a mal. Talvez ele faça por desconhecimento (meu caso pessoal, antes de ter acesso a dados sobre a política de armamento/desarmamento ao redor do mundo e me inteirar a respeito). Talvez por ideologia – muitas vezes construída a partir de ideias recebidas de forma distorcida pelos meios ordinários de comunicação. Talvez com base em pesquisas e argumentos mais sólidos, mas contestados ou passíveis de contestação (também há desarmamentistas honestos, bem intencionados e que se esforçam para fazer bom uso da razão). É, assumo, não sou do tipo que acha que a sensatez só acompanha os seguidores da minha opinião.

Mas confesso que, na grande maioria dos casos, no ápice das suas calorosas justificativas sobre a necessidade de desarmar o cidadão, vejo meu “adversário” como uma espécie de macaco falante – cujo idioma não entendo bem – exalando dizeres sem sentidos que fogem à minha compreensão.

Penso em argumentar ferozmente, discutir, mas me lembro que na cabeça do meu amigo desarmamentista, homem fino e bem intencionado, politicamente correto e respeitador dos altos padrões (também conhecido como “homem light”) tal direito não me cabe na ocasião: devo ter recebido dinheiro de alguma indústria bélica, ser um tremendo ignorante (afinal, não o são esse “povo da polícia” que “não estudou” e por isso “estão onde estão?”) ou mais um espécime excêntrico do tipo “policial brabão” (que resolve tudo “na bala” ou na agressão).

A intenção do meu amigo desarmamentista é me desprestigiar ao ponto de eu mudar o conceito que faço de mim mesmo. É me tratar como incapaz de pensar, simples discípulo fiel da “bancada da bala” – cidadão sem escrúpulos, sempre guiado por algum interesse obscuro em questão.

Aliás o “apelido carinhoso” que a esquerda (que adora definir os outros e a si própria) colocou nos membros do Congresso que tentam resgatar um direito natural do cidadão (se defender) demonstra o quão ridículo chegou a manipulação. Parafraseando um amigo meu (coronel da reserva da Polícia Militar): se congressista que defende o armamento civil é da “bancada da bala”, os defensores da união homoafetiva (tema corrente na agenda progressista) devem receber quê nome então?

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