PARASITAS OU HERÓIS? Um pouco além da polarização…

Mesmo não concordando com o título (“parasita”) acredito impossível negar o nível de descompromisso e falta de profissionalismo de alguns servidores públicos no Brasil. É notória a necessidade de criação de mecanismos de prestação de conta para tornar o serviço público mais eficiente.

Alguém, em sã consciência, discorda disto? Alguém de fato está completamente satisfeito com o nível de tratamento que lhe é dispensado ao necessitar dos serviços públicos básicos em nosso país?

Como melhorar os aspectos de avaliação sem tornar o servidor refém das oscilações políticas eu realmente não sei. Só não podemos, nós servidores, “polarizar” o debate e fazer do exagero (e extremismo) um motivo para deixar de olhar para nós mesmos. E escondermos nossos próprios erros…

Não podemos agir como se tudo estivesse muito bem. A verdade é que não está! Toda classe profissional que se preze sabe que dentro de sua atividade, há muito, mas muito o quê melhorar. Não só em relação ao serviço a ser prestado – como também no que tange às próprias condições oferecidas pelo Estado a nós, ao oferecê-lo.

Ainda falta muita eficiência ao serviço público. As reformas administrativas não alcançaram os efeitos práticos buscados. Uma coisa é fato: não há “fórmula mágica”. Não há vilões e heróis – como pressupõe uma visão absurdamente polarizada. O problema é complexo – e complexa a possibilidade de resolvê-lo. Retirar a estabilidade por completo do servidor só substituiria o critério do “concurso público” pelo critério da “indicação política”. Ignorar a necessidade de melhora nos critérios avaliativos só favoreceria a hipertrofia da ineficiência.

O ideal é amplificar a arena de debate. Permitir que questionamentos e pontos de vistas conflitantes produzam um verdadeiro diálogo – em vez de um “monólogo dual”, em que cada um apenas quer gritar mais alto. Deixar que novas ideias surjam e sejam debatidas, sempre buscando o aprimoramento da atividade estatal. E, acima de tudo, permitir que o usuário e o prestador – os mais proximamente ligados ao exercício da atividade – também contribuam para a solução do impasse.

Ideias simplistas “de cima para baixo” são não só arrogantes, como também incapazes de produzir uma mudança positiva no mundo dos fatos…

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